Atividade na região do Baixo Tocantins reuniu dezenas de atingidos no município de Cametá (PA) para debater as ameaças na Amazônia e reafirmar o apoio a candidaturas comprometidas com a pauta popular

Dezenas de embarcações coloriram as águas do rio Tocantins durante a barqueata.
Dezenas de embarcações coloriram as águas do Rio Tocantins durante a barqueata. Foto: Jordana Ayres / MAB

Nesta quarta-feira (02), o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) realizou uma Barqueata e Plenária do MAB com Lula e Bordalo no município de Cametá, no Pará. O evento foi organizado pelas Brigadas de Agitação e Propaganda das Ilhas, que integram o movimento na região do Baixo Tocantins, e levou as comunidades ribeirinhas para a luta nas águas, seguida por uma plenária com a comunidade local.

A manifestação teve início na comunidade de Paruru do Meio e seguiu em cortejo fluvial pelo Rio Tocantins em direção ao Complexo Palmeiras, localizado na comunidade de Mapiraí de Baixo. O principal objetivo do ato foi reafirmar o compromisso histórico do MAB com a defesa dos direitos das populações tradicionais e debater a importância do projeto político popular, declarando apoio à reeleição do presidente Lula e do deputado estadual Bordalo (PT-PA). Para as famílias organizadas, o cenário político exige a eleição de parlamentares e governantes comprometidos com as causas amazônidas.

O Rio Tocantins e a ameaça da “Hidrovia da Morte”

A escolha do território para a barqueata traz um histórico de denúncia. As águas do Rio Tocantins, fundamentais para a sobrevivência e cultura das comunidades, estão sob a ameaça de um novo grande empreendimento: a Hidrovia Araguaia-Tocantins. O projeto prevê o derrocamento do Pedral do Lourenço, uma formação rochosa de aproximadamente 40 KM, com o uso de explosivos para viabilizar a passagem de grandes barcaças cargueiras destinadas ao transporte de commodities agrícolas e minerais.

Apelidada pelos moradores locais de “Hidrovia da Morte”, a obra projeta uma série de impactos socioambientais irreversíveis, atingindo direta e indiretamente a pesca, o manejo e o modo de vida ribeirinho. A intervenção repete a lógica de violação de direitos humanos que a região já sofreu no passado com a construção da Usina Hidrelétrica (UHE) de Tucuruí e outros empreendimentos.

Cultura e debate político no Complexo Palmeiras

Após o desembarque na comunidade de Mapiraí de Baixo, os participantes foram acolhidos no Complexo Palmeiras com a apresentação cultural do grupo de carimbó As Mocinhas do Rio Tentem, resgatando a força da identidade paraense antes do início dos debates da plenária.

Antônio Dias, da coordenação estadual do MAB no Baixo Tocantins, avaliou a atividade como um passo fundamental para o trabalho de base na região. “A gente avalia o percurso da nossa barqueata como muito positivo. O povo está entusiasmado e consciente da nossa luta e da importância de ter parlamentares para fazer essa ponte com o poder executivo. É importante a campanha do Bordalo e dos demais companheiros estaduais e federais, porque temos propostas, trabalho e projetos para o desenvolvimento da região e dos ribeirinhos. Saímos dessa plenária com várias lideranças de Cametá fechadas com o MAB e com o time de Lula”, afirmou.

Seu Antônio Dias, da coordenação estadual do MAB, destacou o entusiasmo e a consciência política das comunidades durante a plenária. Foto: Jordana Ayres / MAB.
Seu Antônio Dias, da coordenação estadual do MAB, destacou o entusiasmo e a consciência política das comunidades durante a plenária. Foto: Jordana Ayres / MAB

A força das mulheres atingidas também foi citada por Lauriana do Carmo, pescadora e militante do movimento na região do Paruru Espírito Santo, que reforçou a importância  de representação política que olhe para as demandas dos povos ribeirinhos.

“Estivemos hoje na barqueata do MAB com o Lula e o Bordalo, o que é muito importante para nós, povos ribeirinhos. Nós precisamos que eles e demais companheiros comprometidos com as nossas causas se reelejam, pois são eles quem olha por nós. E nós, mulheres, precisamos dos nossos direitos garantidos e de muitos outros projetos para nós e as nossas comunidades”, pontuou a pescadora.

Defesa da soberania e disputa de projetos

Durante a plenária, os discursos enfatizaram que a disputa eleitoral atual ultrapassa as fronteiras locais e reflete uma luta global pela soberania dos recursos naturais do Brasil. Iury Paulino, da coordenação nacional do MAB, alertou para os interesses internacionais sobre a Amazônia e a necessidade de mobilização permanente.

“A eleição não está fácil. Nós não estamos lutando só contra o bolsonarismo, estamos enfrentando interesses externos, como os dos Estados Unidos, que querem as terras raras e a energia do Brasil. É um projeto de humanidade. Nosso papel é conversar com o povo, ir de comunidade em comunidade, acolhendo e convencendo até quem pensa diferente, porque o MAB trabalha na pauta coletiva.”, defendeu Iury.

Integrantes das Brigadas das Ilhas debateram sobre a soberania nacional e a organização popular no Baixo Tocantins.
Integrantes das Brigadas de Agitação e Propaganda das Ilhas debateram sobre a soberania nacional e a organização popular no Baixo Tocantins. Foto: Jordana Ayres / MAB

No encerramento da atividade, o militante do MAB João Júlio também convocou a comunidade a assumir a responsabilidade através do voto e da união comunitária. “Nós conhecemos esses problemas que foram ditos aqui. Então, vamos para cima com responsabilidade para eleger quem luta em favor daqueles que não têm nada. O poder do voto está na nossa mão agora. Saibamos usá-lo para que nossos projetos não fiquem engavetados. Meu pai foi um dos fundadores do partido, ele se foi, mas eu continuo aqui ao lado do MAB nessa caminhada. Vamos lutar com amor em favor de todos nós”, concluiu.

Com o encerramento da plenária, as Brigadas reafirmaram o compromisso de seguir em mutirão e trabalho de base em todas as comunidades ribeirinhas do Baixo Tocantins para reeleger candidaturas comprometidas com a região, consolidando a organização dos atingidos e atingidas e a defesa popular da Amazônia.