Reunião virtual com mais de 300 militantes consolida unidade territorial, formação política e ações de rua no combate à extrema-direita e na defesa da reeleição do presidente Lula
Publicado 23/07/2026

Movimentos populares e organizações sindicais realizaram, na noite de quarta-feira (22), uma plenária nacional virtual para estruturar as Brigadas de Agitação e Propaganda da pré-campanha à reeleição do presidente Lula em 2026. O encontro online reuniu mais de 300 militantes de vários estados do país.
Os presentes demonstraram alinhamento e acordo em relação às diretrizes estratégicas e ideológica, destacando o papel fundamental e a força transformadora que esses coletivos terão nas ruas e nas redes ao longo do período eleitoral.
As Brigadas de Agitação e Propaganda são definidas pelos organizadores como coletivos militantes estruturados para atuar no diálogo direto com a sociedade, conectando as pautas cotidianas com o projeto político de reconstrução do país. A atuação combina unidade metodológica e planejamento com flexibilidade territorial. De acordo com as organizações, já são contabilizadas 342 brigadas organizadas em âmbito nacional, envolvendo um público direto estimado em 6.277 pessoas.
Entre as formas de ação previstas estão panfletagens, visitas domiciliares, intervenções culturais e artísticas, rodas de conversa e difusão em redes sociais, abordando eixos temáticos como soberania popular, proteção às mulheres, crise climática, moradia, direitos sociais e do Estado.

Durante a atividade, dirigentes ressaltaram o cenário de transformações geopolíticas globais e os desafios impostos pela ascensão de forças de extrema-direita. Luiz Dalla Costa, da coordenação nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), contextualizou a conjuntura atual apontando a perda de hegemonia do imperialismo estadunidense frente à emergência da China como referência econômica, tecnológica e cultural.
Dalla Costa destacou ainda que, diante desse quadro e do avanço de forças neofascistas, é preciso unir forças populares em um mundo do trabalho também influenciado por mudanças estruturais, como a expansão do trabalho por aplicativos e Microempreendedores Individuais (MEIs). Para ele, o encontro simbolizou essa união.
“Esta plenária é uma demonstração de força e de unidade de uma série de organizações que são diferentes. A reeleição do Lula, neste momento histórico para a humanidade, não é só para o Brasil; é, para a humanidade, algo extremamente importante. A nossa vitória aqui é a vitória de quem quer construir uma pátria livre e soberana”, disse.

Em complemento à leitura de conjuntura, Raimundo Bonfim, coordenador-geral licenciado da Central de Movimentos Populares (CMP), atual diretor de Participação Social da Secretaria-Geral da Presidência da República e um dos fundadores da Frente Brasil Popular, enfatizou a dimensão geopolítica da disputa eleitoral.
“Nós vamos decidir se o Brasil continuará aprofundando a democracia, combatendo a desigualdade, distribuindo renda, taxando o super-rico, defendendo nossos recursos naturais e a nossa soberania, ou se nós vamos passar novamente a ser o quintal dos Estados Unidos”. Não é uma disputa com o Flávio Bolsonaro, com a família Bolsonaro. É uma disputa geopolítica da maior importância”, declarou.
Bonfim pontuou que o formato das brigadas permite à militância atuar como sujeito ativo na disputa territorial e das periferias, sem ficar refém das estruturas tradicionais de campanha. “As brigadas organizam um conjunto de militantes formados e politizados que fazem um planejamento e dão a disputa de território e nas periferias”, ressaltou, defendendo o foco na campanha majoritária.
Ele concluiu lembrando que o prazo até as eleições se aproxima. “Restam poucos dias e nós temos que dedicar, nestes 74 dias, todo o tempo possível para ajudar a derrotar essa extrema-direita e o fascismo no Brasil”.
A necessidade de engajamento direto com a população também foi reforçada pela representante da Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Lizandra Dawany. A dirigente alertou que o país enfrenta “um projeto neofascista que já mostrou seu rosto”, e que permanece “vivo, organizado e financiado, que está ocupando as redes, mas também disputando o imaginário popular todos os dias”.
Lizandra defendeu a intensificação das ações no olho no olho. “Acho que nós nunca saímos da base, mas nós precisamos potencializar neste momento: colocar mais energia, com mais alegria, com mais agitação. Porque a rede social é muito importante, mas nada substitui o que a gente faz no dia a dia militante, o olho no olho, o porta a porta e o fazer as pessoas se sentirem parte”.
“Precisamos ter aqui 363 Lulas espalhados pelo Brasil, dormindo e acordando pensando, organizando, mobilizando e agitando. Porque é, de fato, a eleição mais importante das nossas vidas”.

Na mesma linha, Liciane Maria Andrioli, integrante da coordenação cacional do MAB, reforçou o compromisso de replicar a organização nos territórios. Liciane destacou a urgência de sair da reunião com o desafio prático de organizar o máximo de brigadas em todos os territórios e convocou a militância para a ação direta.
“A gente acha que é de suma importância a gente já tá na rua realizando esses lançamentos das brigadas, já se organizando e fazendo um processo de agitação, de pré-campanha, para reeleger o Lula presidente”.
O cronograma aprovado estabelece atividades contínuas. Após a reunião virtual, o cronograma prevê a realização do ato presencial de lançamento nacional das brigadas no dia 31 de julho, no Sindicato dos Químicos, em São Paulo, acompanhado de ações nos demais estados.
O lançamento oficial da campanha de reeleição está agendado para 16 de agosto, em São Bernardo do Campo (SP), seguido da entrada ostensiva dos blocos nas ruas a partir do dia 17 de agosto. Para setembro, estão previstas mobilizações focadas na soberania, no Dia da Amazônia e no Grito dos Excluídos. O primeiro turno das eleições ocorre no dia 04 de outubro.