02 de Julho: MAB participa das comemorações da Independência do Brasil na Bahia
Atingidos e atingidas marcham por soberania e paz ao lado de milhares de baianos que relembram a participação negra e indígena na construção da independência brasileira
Publicado 03/07/2026 - Actualizado 03/07/2026

Mais uma vez as ruas entre a Praça da Lapinha e o Pelourinho, em Salvador, foram tomadas por milhares de pessoas para comemorar os 103 anos da independência do Brasil na Bahia, um feito político e militar com ampla participação das massas populares que expulsou definitivamente os portugueses do país.
O 2 de Julho é marcado por manifestações cívicas e populares que reúnem cortejos, apresentações culturais e diversas expressões dos diferentes territórios do estado. A data é celebrada com desfiles, música e outras atividades que rememoram a Independência da Bahia e mobilizam diferentes segmentos da população. É uma manifestação popular de muitas cores, sons, cheiros e movimentos, um dia de festa que mostra toda a vitalidade do povo quando marcha para si mesmo.
Uma das figuras centrais dessa manifestação são o Caboclo e a Cabocla, símbolos da força e resistência dos povos originários na luta contra os colonizadores portugueses. Outras representações de heróis e heroínas da Independência da Bahia também se fazem presentes durante o trajeto do cortejo, como os vaqueiros, Maria Felipa, Maria Quitéria e Joana Angélica.





Historiadores indicam que o desfile popular surgiu espontaneamente e contra a vontade dos governantes da época, que temiam o empoderamento das populações pobres e o avanço de reinvindicações que foram o motor das mobilizações. Inicialmente, a figura do Caboclo era representada por uma pessoa viva. A partir de 1840, surgiu a estátua do Caboclo e da Cabocla, representando Catarina Paraguaçu, primeira mulher que reivindicou a igualdade de ensino e o direito à educação.
Em torno dessas representações, uma multidão segue organizada em blocos, alas, grupos percussivos, fanfarras, diversos grupos partidários de candidaturas eleitorais e uma forte presença das simbologias do movimento popular brasileiro do campo e da cidade, que reafirmam pautas importantes, como o fim do feminicídio e a redução da jornada de trabalho sem redução de salário. Além da solidariedade a Cuba, Venezuela e Palestina.
Os atingidos e atingidas participam desse importante dia celebrando uma independência feita por homens e mulheres, negros e indígenas junto com a classe trabalhadora. “Estamos nas ruas junto com o povo baiano e outras organizações para reafirmar que os atingidos e atingidas estão na luta por direitos, por soberania e por paz”, afirma Cleidiane Barreto, integrante da coordenação nacional do MAB.
De acordo com o professor e historiador Paulo de Jesus, da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), o tema da soberania nacional passa pelo processo da independência do Brasil, mas vai além das relações com Portugal, visto que existia uma dependência financeira da Coroa Portuguesa com a Inglaterra.
“Aquilo que a gente vai conceber como soberania nacional vai depender desse jogo, dessa articulação que será feita em torno de grandes temas. Mas é importante dizer que nós nascemos com uma dívida que não é nossa. Portanto, a nossa soberania já é comprometida por uma dívida enorme, que era a dívida portuguesa. Nascemos já com um limitador do que nós entendemos como soberania”, afirma o historiador.
O Movimento integrou o bloco organizado pela Central Única dos Trabalhadores da Bahia (CUT) e outras organizações da Plataforma Operária e Camponesa da Água e da Energia (POCAE), como o Sindipetro BA, levando às ruas bandeiras em defesa da soberania nacional, dos direitos das populações atingidas por barragens e da construção de um projeto popular para o Brasil.