MAB e ADAI realizam 1º Encontro de Lideranças Locais em Porto Velho (RO)
Encontro reuniu mais de 50 lideranças para debater o plano de organização e implementação do projeto “Produção Sustentável em Comunidades da Amazônia”
Publicado 06/02/2026

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e a Associação de Desenvolvimento Agrícola Interestadual (ADAI) realizaram nos dias 14 e 15 de agosto de 2025, em Porto Velho (RO), o 1º Encontro de Lideranças Locais, com participantes dos municípios de Candeias do Jamari, Itapuã do Oeste e Porto Velho. O objetivo do encontro foi mobilizar as lideranças comunitárias, apoiar a implementação de atividades previstas e propor novos projetos para fortalecimento da produção das comunidades atingidas.
A atividade iniciou com Laércio Cavalcante, técnico de ciências agrárias da ADAI e militante do MAB, com a palestra sobre “Território e resistência na Amazônia”, reforçando o papel da agricultura familiar diante da expansão do agronegócio e da crise climática. Laércio destacou a importância da agroecologia como estratégia de resistência, defesa dos territórios e mitigação dos impactos climáticos, abordando a realidade enfrentada pelos produtores de acordo com os impactos em suas localidades.
Em seguida, foi apresentado o projeto “Produção Sustentável em Comunidades Atingidas pela Amazônia”, detalhando seus objetivos e os critérios de seleção das famílias beneficiárias (interesse, perfil socioprodutivo, localização e potencial de produção), além do planejamento e metas para o primeiro ano.
Durante a tarde do primeiro dia, aconteceram debates em grupos sobre os temas trazidos na plenária: comercialização e fortalecimento de feiras agroecológicas, ideias de culturas e manejo de plantas com base na agroecologia, troca de sementes crioulas, valorização e investimento no trabalhador rural, transição para Agroecologia e Sistemas Agroflorestais (SAFs).

No dia 15, durante a manhã, Paola Bentes, especialista em agrofloresta e militante do MAB, detalhou o processo de licenciamento para a perfuração de poços, elencando a documentação necessária e os passos até a obtenção da licença. Abordou sobre o processo de outorga da água e casos em que ocorre a dispensa desta, no qual se aplica às famílias atingidas do movimentos, que é a declaração de uso insignificante de recursos hídricos. Destacou, também, a importância do Cadastro do Agricultor Familiar (CAF) e do Cadastro Ambiental Rural (CAR) como ferramentas essenciais para que essas famílias acessem políticas públicas e benefícios. De acordo com Paola: “É de extrema importância esclarecer a necessidade desses documentos. Alguns podem ser feitos de forma online e facilitam a vida das famílias; e para outros, que possuem uma maior burocratização, a equipe técnica do projeto está disponível para dar instruções e articular a garantia da documentação necessária”.

Durante a tarde, aconteceu o encerramento do encontro com a realização de visita à mini fábrica de café no Reassentamento Santa Rita, desenvolvido pelo MAB em parceria com a ONG austríaca H3000 – que está em fase de finalização – como um momento para troca de experiências e vivências entre as comunidades. O objetivo foi demonstrar como a organização e a construção de um trabalho coletivo podem gerar resultados positivos e frutos para a comunidade.

O encontro faz parte do projeto “Produção Sustentável em Comunidades da Amazônia”, financiado pelo Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e executado pela Associação de Desenvolvimento Agrícola Interestadual (ADAI), em parceria com movimentos e organizações do campo, entre eles o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).
Viva à produção camponesa, familiar e popular! Viva a agroecologia!
