Em Rondônia lançamento virtual 26º edição Grito dos Excluídos conclama grito pela vida

Lançamento dá inicio as atividades do Grito dos excluídos no estado e chama atenção para a situação do Brasil

Na sua 26º edição o Grito dos Excluídos, desde 1994, todos os anos o Grito tem um programa e um tema que perpassa a sua história de mais de duas décadas de caminhada: A vida em primeiro lugar.  A ameaça contra a vida é constante em suas diversas formas, entre elas, as mais evidentes: a da violência do Estado e de suas instituições com  os  altíssimos  índices  de assassinato  de  jovens  negros, pobres, periféricos,  favelados; a  violação  dos direitos  básicos como  água,  moradia,  saúde  e educação  de  qualidade,  lazer,  cultura,  trabalho,  transporte. 

No contexto da pandemia esses problemas sociais e econômicos são agravados, nesse sentido o Grito dos Excluídos esse ano traz o lema “Basta de miséria, preconceito e repressão! Queremos trabalho, terra, teto e participação”. Na ultima sexta-feira (07), aconteceu o lançamento ao vivo nas redes sociais da edição do grito em Rondônia.

De acordo com Dom Roque Paloshi, arcebispo de Porto Velho, o grito tem sido fundamental para ajudar a igreja a compreender esses problemas, “milhões de brasileiros vivem uma vida marcada pelo sofrimento, são massas sobrantes, são homens e mulheres, que tem um rosto, uma identidade mas não são vistos como filhos e filhas dessa pátria, são milhares de jovens que tem sua vida ceifada, sobretudo a juventude negra”. 

Ainda sobre a realidade em que vive o Brasil para Dom Roque a pandemia revelou de maneira forte a desassistência do estado e as desigualdades, e chama atenção “o trabalho foi banalizado, a terra cada vez mais concentrada nas mãos de poucos, famílias estão vivendo em baixo de lonas, enquanto campesinos e campesinas querem cultivar essa terra, mas também são milhões de famílias que vivem em habitações indignas, por isso terra, trabalho e teto é fundamental, tudo isso exige de nós participação”.

Francisco Kelvim, da coordenação do Movimento dos Atingidos por Barragens, destaca que o momento em que vivemos se convergem diversas crises, mas que essas não se iniciam com a pandemia, “vivemos uma profunda crise econômica no mundo e no Brasil, devemos lembrar que as saídas, reforma trabalhista, reforma da previdência, teto dos gastos, somente aprofundaram a miséria e a desigualdade, junto a isso ainda vivemos a crise ambiental, que acontece pelos interesses de grandes corporações, do agronegócio, da mineração, em conluio com estados para se apropriar e explorar a natureza”. 

Sobre a realização do grito no período da independência do Brasil, Francisco lembra, “O grito dos excluídos nos conclama a refletir e questionar qual independência é essa em que 100 mil brasileiros e brasileiras são vitimados dessa maneira por uma doença, que independência é essa em que os povos indígenas são vitimas de um genocídio, que os brasileiros não tem renda e nem trabalho digno”. 

Levando em consideração as orientações de cuidado e distanciamento social as atividades do grito serão realizadas virtualmente, o calendário conta com rodas de conversa, comunicações nas redes sociais, e missa ecumênica online, no dia 07 de setembro haverá uma programação que inclui ecoar na frente das casas através de cartazes e pano preto seus gritos e luto pelas vitimas do Covid-19 e ato cultural e simbólico em frente ao CPA (Centro Politico Administrativo). 

Vao Oliveira, das pastorais sociais, finaliza “convidamos a todas as paroquias, pastorais sociais, movimentos sociais a acompanharem e fazerem parte dessa programação, vamos ressoar um grito forte, em defesa da vida”.

Assista a transmissão: 

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