Nota pública: “Defender a Amazônia é defender a vida”

  O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) não concorda com as práticas retrógradas que devastam a floresta e os animais, que ganharam visibilidade com a intensificação dos incêndios após […]

 

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) não concorda com as práticas retrógradas que devastam a floresta e os animais, que ganharam visibilidade com a intensificação dos incêndios após fazendeiros e madeireiros terem convocado o “Dia do Fogo”, que, de forma orquestrada, queimou grandes áreas no dia 10 de agosto.

A destruição da floresta Amazônica é um problema que atinge a todos. O desmatamento e as queimadas causam grandes perdas à natureza e afetam a população brasileira, do campo e da cidade, além de toda a população mundial.

São episódios de destruição resultando em vergonha nacional. Destruir a extraordinária biodiversidade amazônica é algo que não devemos aceitar de forma alguma. É preciso dizer que por trás do fogo e da fumaça existem grandes disputas intercapitalistas pela apropriação, controle e exploração da Amazônia.

Estamos falando de um território com bases naturais estratégicas que conta com presença de importantes reservas de água, minérios, biodiversidade, florestas, terras, energia, gás, petróleo, entre outros elementos. Grupos empresariais locais e internacionais disputam a posse e utilização para exploração e, claro, elevada lucratividade.

Os fazendeiros e madeireiros ligados ao agronegócio, que ateiam fogo na floresta,  reivindicam a expansão sem controle de seus negócios na Amazônia. Estes setores cobram o fim da legislação e fiscalização ambiental e querem a ampliação da derrubada da floresta, a incorporação de novas áreas de terras para uso em pastagens para criação de gado, plantio de soja, o uso de madeiras para serrarias, áreas para mineração em reservas e parques de preservação, e a revisão das demarcações de terras de povos originários.

Neste cenário, há a disputa de grandes grupos econômicos internacionais e nações com interesses geopolíticos que querem acessar e explorar a Amazônia em diversas frentes de negócios. São transnacionais e corporações financeiras que pretendem transformar a Amazônica em uma grande mercadoria por meio da privatização da riqueza natural e monetarização da floresta para explorar e lucrar com as bases naturais de seu território.

As políticas do governo Bolsonaro para a Amazônia estão erradas e colaboram para o agravamento da situação. Também é errada a estratégia de subordinação do Brasil ao imperialismo estadunidense – e aí está o grande risco à Amazônia. Já se tornou público que o governo brasileiro escolheu os Estados Unidos como aliado e parceiro principal para explorar a Amazônia e isso terá consequências graves para a região da floresta e para a América Latina como um todo. O plano ainda não está inteiramente revelado, mas é certo que há um processo acelerado para mudanças na legislação ambiental de uso da Amazônia e a entrega de locais e bases estratégicas para exploração econômica e presença militar estrangeira sobre a região.

As autoridades devem ter a grandeza de adotar medidas de pleno cuidado e defesa soberana do nosso território amazônico e de imediato fazer cessar o desmatamento e as queimadas. E não é errada a solidariedade internacional dos povos que querem fortalecer o cuidado da nossa floresta.

O povo brasileiro deve demonstrar ao mundo que não concorda com a destruição da Amazônia e a melhor maneira é a luta*. Por isso, o MAB orienta a toda sua militância e atingidos por barragens de todo o Brasil a participarem de forma ativa nas ações em defesa da Amazônia para que a luta e a solidariedade dos povos se ampliem em todo território.

 

Movimento dos Atingidos por Barragens

São Paulo, Brasil, 28 de agosto de 2019.

Água e energia com soberania, distribuição da riqueza e controle popular!

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