Organização para garantir os direitos dos atingidos pelo rompimento de barragem em Mariana

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) continua acompanhando a situação das mais de 2 mil pessoas atingidas pelo rompimento de duas barragens de rejeito mineral na cidade de Mariana, […]

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) continua acompanhando a situação das mais de 2 mil pessoas atingidas pelo rompimento de duas barragens de rejeito mineral na cidade de Mariana, região central de Minas Gerais, de propriedade da Samarco Mineração S.A, empresa controlada pelas gigantes Vale e BHP Billiton, as maiores mineradoras do mundo.

Foto: Douglas Resende e Rafael Lage

O desastre ocorrido por volta das 16h desta quinta-feira (5) destruiu completamente o distrito de Bento Rodrigues onde moravam cerca de 600 pessoas, além de atingir e isolar outras diversas localidades nas cidades de Barra Longa, Acaiaca e Rio Doce.

Foram despejados 62 milhões de toneladas de rejeito de minério de ferro contaminados com arsênio, chumbo, mercúrio, entre outros venenos, que atingiram o Rio do Carmo e continua avançando pelo Rio Doce em direção ao oceano.

Militantes do MAB conversaram com atingidos que ficaram desalojados, que no total ultrapassam mais de 500 pessoas somente na cidade de Mariana. Acompanharam o trabalho da Prefeitura Municipal que garantiu a assistência emergencial aos atingidos. A empresa demorou a tomar iniciativa. Somente após determinação do Ministério Público, transferiu as famílias da Arena Mariana para hotéis. Estão sendo recolhidos depoimentos buscando checar as informações que, por meio de ação deliberada da Samarco Mineração, são divulgados de forma dispersa e contraditória.

“A empresa não apresenta informações sobre o número possível de mortos, feridos ou desaparecidos. A todo o momento diz que não tem conhecimento desta ou daquela situação e dá sempre respostas evasivas. Ontem, por exemplo, eles não tinham sequer uma lista oficial de desaparecidos”, afirma Pablo Dias, membro da coordenação do MAB em Minas Gerais.

Além de acompanhar os atingidos, o movimento realizou uma reunião na manhã desta sexta-feira (6) com diversas lideranças da região de Mariana, incluindo sindicalistas, padres, lideranças de comunidades, estudantes, ambientalistas, onde foi debatida a situação após o desastre e traçado planos conjuntos para não deixar as famílias sem amparo e a garantia de seus direitos.

Momento de solidariedade e preparação para a luta

Em meio à comoção geral instalada na cidade pela perda da vida de duas pessoas, na expectativa de que o número de mortes possa chegar a 30 com base no número estimado de desaparecidos, e também pela destruição total do distrito de Bento Rodrigues, o impacto social e ambiental provocado, o MAB organiza a solidariedade e a luta pelos direitos.

Na próxima quinta-feira (1211) será em realizada em parceira com lideranças da Igreja a Caminhada pelo Direito à Vida em que todas as famílias atingidas junto com a população de Mariana e região prestará homenagem às vitimas da tragédia e reforçará que não deixarão que a Vale abandone os atingidos conforme ocorre constantemente nestes episódios.

No dia 17 de novembro está previsto um debate público em Belo Horizonte reunindo atingidos, governos, parlamentares, sindicatos, movimentos, Igrejas e pastorais sociais para discutir as responsabilidades pelo ocorrido e como ficará a situação das famílias em Mariana e nas outras cidades da região.

O MAB também cobra da empresa respostas sobre o que será feito em relação aos impactos nas cidades de Minas Gerais e Espírito Santo que são banhadas pelo Rio Doce, sobretudo as que tiram água diretamente do rio para o abastecimento.

“Grandes cidades como Governador Valadares já anunciaram que irão interromper completamente a captação para a toda a cidade. Isto é um desastre social e queremos saber como a empresa pretende se responsabilizar por isto”, cobra Alex Sandra Maranho, membro da coordenação do MAB.

“Estamos atentos a todas as questões, buscando as informações mais precisas que for possível, em constante contato com autoridades e as famílias atingidas sempre com o objetivo de prestar solidariedade e tendo claro que a indignação precisa se transformar em mobilização popular. Isto vale tanto para Mariana quanto as demais comunidades atingidas nas cidades de Barra Longa, Acaiaca, Rio Doce. Esta tragédia não pode terminar como as outras em que a Vale abandonou as populações,” concluiu Alex Sandra.

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