PLATAFORMA OPERÁRIA E BRIGADAS DE AGITAÇÃO E PROPAGANDA REALIZAM FORMAÇÃO POLÍTICA
Realizada em São Paulo, a última etapa teve como pontos principais o entendimento da conjuntura política e o aprofundamento da visão revolucionária dos movimentos e sindicatos
Publicado 01/07/2026 - Actualizado 03/07/2026

A 3ª Etapa da Formação Política “A Teoria Marxista e o Método do Trabalho de Base da Atualidade”, organizada pela Plataforma Operária e Camponesa de Água e Energia (POCAE) e pelas Brigadas de Agitação e Propaganda, aconteceu entre os dias 26 e 28 de junho em São Paulo. A etapa ocorreu no Instituto Cajamar, espaço destinado à formação sindical e política, que existe desde 1986, e conta com militantes das organizações que compõem as articulações, entre elas, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Central dos Movimentos Populares (CMP), Sindipetro Unificado, Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), União Nacional dos Movimentos de Moradia, Sinergia, entre outros.
Diante de um cenário mundial onde o imperialismo norte americano busca ter cada vez mais domínio sobre os recursos, em um projeto de poder político cada vez mais influente, é fundamental que trabalhadores e trabalhadoras tenham consciência de classe, entendimento sobre o momento político e se mobilizem coletivamente na busca por direitos e do desenvolvimento do projeto político popular, como explicou a professora do Centro de Educação Popular do Instituto Sedes Sapientiae (CEPIS), Camila Mudrek, no decorrer dos debates da formação sobre o tema.
“A gente tem que entender que o nosso debate precisa ser de um projeto de sociedade. Com um olhar de longo prazo que inclua as eleições, mas não termine com elas. A forma de pensar política, essa cultura política, essa educação política que a gente tem no Brasil, tem que superar esse tempo de dois em dois anos das eleições. A gente precisa pensar na construção de uma consciência política, de um debate que apresente esses verdadeiros inimigos e que apresentem um debate de um projeto de sociedade”, afirmou Camila.

ESTRATÉGIA E TÁTICA – A OBRA DE MARTHA HARNECKER
A obra que baseou parte do debate, foi “Estratégia e Tática” de Martha Harnecker, que esclarece, de maneira coesa, sua teoria política e processos revolucionários. Sendo a estratégia o plano de longo prazo para conquistar o poder, definindo o objetivo final, como a tomada do poder político e a transformação estrutural da sociedade, e ainda identifica o inimigo principal. Já a tática são, as ações imediatas e flexíveis para avançar, práticas tomadas a partir da estratégia em direção ao objetivo definido. Dani Höhn, debateu os conceitos da obra e explicou a importância de compreender quem é o verdadeiro inimigo.
“Para conquistar esses objetivos é muito importante que a classe trabalhadora compreenda quem é seu inimigo principal. E nessa etapa, a partir desse estudo desse clássico, a gente conseguiu identificar que o inimigo que se apresenta no momento atual é o imperialismo”, apontou Dani.
AS DINÂMICAS DE TRABALHO

Uma das realidades que une toda a classe trabalhadora é a má distribuição dos recursos pelo mundo. A alta carga horária de trabalhos intensos e a baixa remuneração transformam esta relação de trabalho em algo abusivo e desumano, limitando as relações interpessoais, principalmente entre familiares. Durante a formação, o debate sobre o trabalho e a construção da riqueza no sistema capitalista foi conduzido pela professora Renata Belzunces, do DIEESE, que comentou sobre o momento atual das conquistas de direitos da classe trabalhadora.
“A gente está num momento muito interessante para pensar nos avanços e retrocessos da classe trabalhadora, porque nós acabamos de aprovar no Congresso a mudança da escala de trabalho e a redução da jornada de trabalho. Então, a gente, ao mesmo tempo que vê uma vitória, a gente vê uma questão de uma qualidade de emprego e uma diversidade de ocupações de cada vez mais baixa qualificação combinadas”.

Os movimentos populares e sindicatos enfrentam desafios específicos em seus contextos e territórios. Durante a formação, o momento que oportunizou o debate sobre os problemas e desafios da classe trabalhadora, antecedeu a conversa sobre a atual conjuntura política do país, que foi apresentada pelo presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva. As discussões apontaram para o entendimento dos problemas atuais da classe trabalhadora e os próximos passos para conquistas políticas e de direitos, compreendendo que os movimentos populares e os sindicatos são peças fundamentais para a vitória contra o imperialismo.
“Não há como nós sustentarmos um projeto de mudança, sem nós dialogarmos e nos articularmos com os movimentos sociais. Tanto os movimentos populares como o movimento sindical, nós temos que mobilizar a nossa base social. Porque sem mobilização da nossa base social, nós não alteramos a correlação de forças; sem alteração de correlação de forças, é impossível nós fazermos as reformas que o Brasil precisa”, apontou Silva.