INCRA realiza cadastro de famílias na ocupação Edinaldo Palheta, em Vitória do Xingu (PA)
Ação é resultado da Jornada de Lutas em Altamira e marca o avanço na luta pela criação de assentamento
Publicado 27/03/2026

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), em conjunto com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), realizou, entre os dias 24 e 26 de março de 2026, o cadastro das famílias da ocupação Edinaldo Palheta, localizada em Vitória do Xingu (PA). A atividade ocorreu nos Travessões Joa, da Torre e no barracão central da ocupação, e teve como objetivo levantar informações sobre as famílias que vivem e produzem na área, como parte do processo de regularização fundiária e da luta pela criação de um assentamento.
A ação integra as conquistas da Jornada de Luta organizada pelas famílias junto ao MAB, que vêm, há anos, reivindicando o direito à terra. Ao todo, cerca de 250 famílias foram cadastradas na Gleba Tapará, uma área de aproximadamente cinco mil hectares. O chamado registro básico é uma etapa fundamental para que o INCRA possa avançar nos estudos técnicos, administrativos e também nas ações judiciais relacionadas à destinação da área para a reforma agrária.
O cadastro permite ao órgão identificar quem são os sujeitos que ocupam a terra, suas condições de vida e produção, além de subsidiar políticas públicas voltadas à agricultura familiar. Em regiões como o Xingu, marcadas por conflitos fundiários e concentração de terras, esse tipo de levantamento é essencial para garantir o acesso à terra e a permanência das famílias no campo.
Mesmo durante a realização da atividade, as famílias enfrentaram situações de violência. Um dos agricultores teve sua casa derrubada enquanto participava do cadastro e do diálogo, evidenciando o cenário de pressão e insegurança no território.


Para os trabalhadores e trabalhadoras, o momento representa um avanço construído com resistência.
“É um momento importante após quatro anos de luta na ocupação. Já tivemos a perda de um companheiro, mas hoje ainda temos esperança com essa vinda do INCRA”, afirmou o agricultor Jorebe Rocha.
De acordo com Rodrigo Benaduce, da conciliação agrária, o cadastro tem papel estratégico no processo: “Esse cadastro é direcionado para as famílias que estão nessa luta de acesso à terra. Ele vai servir de subsídio para o INCRA no território, inclusive na ação judicial em que o órgão acompanha e é parte.”
A mobilização também reforça a importância da organização coletiva: “Estamos a um passo importante na luta agrária na ocupação Edinaldo Palheta, em defesa da vida e do território. Lutamos para nos tornar um assentamento e nos manter unidos”, destacou Tainá Vicência.


Com o avanço do cadastro, as famílias aguardam os próximos encaminhamentos do INCRA para a regularização da área e a criação do assentamento. A ocupação Edinaldo Palheta segue como símbolo da luta pela terra na região do Xingu, reafirmando a defesa da vida, do território e da agricultura familiar frente aos desafios e conflitos no campo.
