Brigadas e Plataforma reafirmam compromisso com a formação em São Paulo
Formação chega à segunda etapa, retomando obra de Florestan e discutindo dilemas do Brasil e do mundo para a luta popular
Publicado 24/03/2026

Entre os dias 20 e 22 de março, aconteceu a segunda etapa da Formação Política “A teoria marxista e o método do trabalho de base na atualidade”, organizada pela Plataforma Operária e Camponesa da Água e Energia e Brigadas de Agitação e Propaganda em São Paulo. A etapa acontece no Instituto Cajamar, instituto destinado à formação sindical e política, que existe desde 1986 e conta com militantes das organizações que compõem as articulações, entre elas, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Central dos Movimentos Populares (CMP), Sindipetro Unificado, Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), União Nacional dos Movimentos de Moradia, Sinergia, entre outros.
Segundo Lucas Mazoti, do Sindipetro Unificado, um dos objetivos centrais da formação é: “Através da educação popular, preparamos a militância do movimento social e sindical, a fim de materializar os ensinamentos aqui passados em suas bases, para que possamos resistir aos ataques sucessivos e crescentes à classe trabalhadora” conclui o petroleiro.
Conjuntura e o mundo do trabalho
Entre os temas da programação da etapa, estavam o aprofundamento da conjuntura brasileira e da classe trabalhadora. José Dirceu, ex-ministro e dirigente histórico do Partido dos Trabalhadores (PT), enfatizou que “vivemos um momento de contra revolução” diante dos ataques norte-americanos contra Venezuela, Cuba e Irã e que o desafio central neste momento é a unidade. Precisamos lutar juntos”, destacou o dirigente.
Eduardo José Rezende, pesquisador e doutor em Ciência Política na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), contribuiu com elementos para analisar as relações de trabalho no capitalismo. Segundo ele, “o trabalho é uma categoria central” para compreendermos o mundo. Para o pesquisador, “todos os nossos desafios passam por um grande desafio, que é o de termos uma classe trabalhadora desmobilizada […]. Quando a gente pensa o capitalismo como esse terreno no qual a gente está inserido, isso tem aspectos objetivos, sentidos na pele, e subjetivos, que estão no âmbito da ideologia”, explicou, diante de um contexto de precarização do trabalho e disputa da sociedade pelo neofascismo e neoliberalismo.




O que é Revolução: a obra de Florestan Fernandes
A principal obra estudada nesta etapa foi O que é revolução, do sociólogo e político brasileiro, Florestan Fernandes, que reflete a necessidade de construção de uma transformação radical na estrutura social e econômica brasileira, superando o capitalismo dependente e a dominação burguesa. “Esse grande mestre nos ajuda a aprofundar a importância de fazer essa mudança radical das raízes da sociedade. Então, a revolução é um processo anticapitalista, da construção de uma nova ordem social” explica Dani Höhn, da coordenação nacional do MAB.
“Não há outra saída no Brasil [revolução], dadas as proporções da nação e das tarefas políticas a serem executadas. Quanto ao “sonho”, o que se deve dizer é que sem sonhos políticos realistas não existem nem pensamento revolucionário nem ação revolucionária.” (FERNANDES, 1981, p.120).
Construção de propostas para a energia e a cidade de São Paulo
Um dos apontamentos foi a necessidade de construção de uma plataforma com medidas e propostas em torno da energia, moradia, segurança alimentar, garantia de direitos, entre outros, para o estado e cidade de São Paulo. Além da retomada do trabalho das Brigadas de Agitação e Propaganda, grupos de militantes das organizações que, com planejamento, realizam o trabalho de diálogo e campanha nas ruas e comunidades de forma conjunta, com prioridade na reeleição do presidente Lula.
