“Quem nos chamou foi o rio”

Movimento dos Atingidos por Barragens integra manifestação em defesa dos rios amazônicos em Porto Velho

Organizações e movimentos sociais reunidos em celebração à revogação do Decreto 12.600/2025. Foto: Klézi Martins / MAB
Organizações e movimentos sociais reunidos em celebração à revogação do Decreto 12.600/2025. Foto: Klézi Martins / MAB

Nesta terça (24), o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), em Rondônia, somou forças no ato em defesa dos rios Madeira, Tapajós e Tocantins. A mobilização ocorreu na rotatória da Balsa, em frente à área do porto da Cargill, na capital Porto Velho.

O projeto de exploração da Amazônia não é recente: ele nasce da lógica capitalista selvagem de que os nossos rios são mercadoria. Desde a construção das hidrelétricas, assistimos ao avanço da privatização das águas. Empresas como a Cargill não descansam em sua ganância, por isso, mesmo com a revogação do Decreto 12.600/2025, nossa luta é permanente.

Maria da Conceição, atingida da comunidade de Maravilha, presente em resistência. Foto: Klézi Martins / MAB
Maria da Conceição, atingida da comunidade de Maravilha, presente em resistência. Foto: Klézi Martins / MAB

A revogação foi um passo, mas a ameaça continua. Já privatizaram a rodovia (BR-364) e agora miram o rio, pois essa não é apenas uma disputa pelas águas, mas pela vida. Esses grandes empreendimentos carregam em si o desterro de quem historicamente defende o território. Quando o rio é privatizado, todo o povo é atingido, especialmente a classe trabalhadora. A nossa unidade é urgente: um ataque a um é um ataque a todos nós, e não nos silenciaremos diante das investidas contra o nosso povo.

Militantes do MAB durante o ato em defesa dos rios Amazônicos. Foto: Klézi Martins / MAB
Militantes do MAB durante o ato em defesa dos rios Amazônicos. Foto: Klézi Martins / MAB

É preciso defender a autodeterminação de quem vive na beira. O rio é ancestralidade, espiritualidade e misticismo. É o alimento sagrado dos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, pescadores, extrativistas, agricultores e camponeses.

Diante disso, perguntamos: quantos decretos mais serão aprovados contra nós? Avançam sobre o que é nosso e deixam para trás apenas o genocídio e a segregação das populações para fins de especulação. Esse “desenvolvimento” serve a quem? Nossas terras viram pasto, não há consulta prévia; há imposição e morte.

Nossa resposta é a organização. Juntos somos mais fortes, através da mobilização constante e da união das populações originárias e das comunidades tradicionais. Já basta de nos tirarem o que nos pertence! O Rio Madeira é nossa resistência e nossa subsistência. Querem nos ver subservientes, mas o povo da Amazônia é povo de luta.

Os rios pedem sossego. Os rios pedem respeito. Os rios pedem paz.

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