NOTA | Movimento dos Atingidos por Barragens expressa solidariedade às vítimas das enchentes em Minas Gerais
Enchentes na Zona da Mata mineira causam mortes, desaparecimentos e deixam centenas de famílias desabrigadas. MAB se solidariza com as vítimas e reforça a urgência de políticas estruturais que coloquem a vida do povo em primeiro lugar
Publicado 25/02/2026 - Actualizado 25/02/2026

As fortes chuvas que atingiram Minas Gerais nos últimos dias provocaram graves enchentes na Zona da Mata, especialmente nos municípios de Juiz de Fora e Ubá. Até o momento, são mais de 35 mortos, dezenas de desaparecidos e centenas de famílias desabrigadas, segundo dados das prefeituras e do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais. Apenas em Juiz de Fora, já são 30 mortes confirmadas e cerca de 33 desaparecidos. Em Ubá, onde o rio atingiu a marca histórica de 7,82 metros – após quase 170 milímetros de chuva em poucas horas -, há registro de mortes, desaparecidos e destruição de pontes, moradias e serviços essenciais.
O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) manifesta sua solidariedade às famílias que perderam seus entes queridos, suas casas e seus meios de vida. Mais uma vez, os desastres naturais atingem com mais força as populações das periferias, das áreas de encosta e das regiões historicamente negligenciadas pelo poder público. Enquanto locais mais estruturados registram impactos pontuais, são as comunidades mais pobres que concentram o maior número de vítimas e perdas materiais.
A decretação de calamidade pública e a instalação de planos de contingência são medidas importantes, mas insuficientes diante da dimensão do problema. É preciso garantir atendimento imediato às famílias desabrigadas, assegurar água, energia, transporte, saúde e assistência social. Além de políticas estruturais de prevenção, moradia digna e planejamento urbano que enfrentem as causas profundas desses desastres naturais. O alerta vermelho emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) reforça que o risco continua elevado e que novas ocorrências podem agravar ainda mais a situação.
O MAB reafirma que eventos extremos como estes não podem ser tratados como fatalidades isoladas. A combinação entre mudanças climáticas, ausência de políticas habitacionais e ocupação forçada de áreas de risco expõe, ano após ano, os mesmos territórios e as mesmas famílias. A luta segue como ação essencial, exigindo do Estado respostas estruturais, responsabilização e investimentos que coloquem a vida do povo em primeiro lugar.
