NOTA DE REPÚDIO | Desastre ambiental na Vila Maranhão expõe atuação do Grupo Valen em São Luís (MA)

Crime ambiental expõe famílias à contaminação da água, provoca deslocamentos forçados, adoecimento físico e psicológico e evidencia a negligência com a saúde e o direito ao território

Sede da empresa Valen Fertilizantes e Armazéns Ltda. Foto: Marcha Mundial das Mulheres / MA
Sede da empresa Valen Fertilizantes e Armazéns Ltda. Foto: Marcha Mundial das Mulheres / MA

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e a Marcha Mundial das Mulheres (MMM) vêm a público denunciar e repudiar o desastre socioambiental ocorrido no bairro Vila Maranhão, em São Luís (MA), provocado pelas atividades da empresa Valen Fertilizantes e Armazéns Ltda., responsável pelo manuseio, armazenamento e processamento de fertilizantes químicos na comunidade.

Ao menos 71 famílias relatam sintomas recorrentes, como coceiras na pele, agravamento de doenças respiratórias, ardência nos olhos, náuseas e desconforto constante, associados à presença de resíduos químicos e poeiras provenientes da atividade industrial. A situação se agravou de forma alarmante no dia 2 de fevereiro, quando um vazamento de sulfato de amônia e ureia atingiu diretamente duas ruas do bairro, expondo a população a produtos químicos potencialmente nocivos à saúde humana e ao meio ambiente.

É fundamental destacar que a corporação Valen Fertilizantes e Armazéns Ltda. não atua de forma isolada, mas integra um grupo econômico mais amplo conhecido como Grupo Valen, também denominado Grupo Marinho & Moura, controlado pelos mesmos sócios. Esse grupo empresarial possui diversos empreendimentos no Maranhão, com destaque para atividades nos setores de fertilizantes, logística, comércio, combustíveis e serviços.

Entre os empreendimentos do Grupo Valen está o Valen Shopping / Posto Valen, oficialmente registrado como Valentina Combustíveis Ltda., amplamente divulgado como um dos maiores postos de combustíveis do Brasil, com grande fluxo de veículos, transporte de cargas e circulação diária de pessoas. Tanto o posto quanto a unidade de fertilizantes estão localizados no mesmo território da Vila Maranhão, evidenciando a concentração de atividades empresariais de alto impacto em um bairro popular pertencente à Zona Rural de São Luís, sem a devida proteção à população local.

A presença simultânea de um empreendimento químico-industrial e de um grande complexo de combustíveis e serviços sob o controle do mesmo grupo econômico, expõe os moradores da Vila Maranhão a riscos ambientais cumulativos, configurando uma lógica de ocupação territorial que prioriza o lucro empresarial em detrimento da vida, da saúde e do direito ao território.

O MAB e a MMM reafirmam que o ocorrido não pode ser tratado como um acidente pontual, mas como parte de um processo contínuo de violação de direitos, marcado pela negligência ambiental, pela conivência governamental, pela fragilidade da fiscalização, ausência de medidas eficazes de prevenção e emergência e pela transformação de bairros populares e da zona rural em zonas de sacrifício. 

Devido à ação de corporações como a Valen nos territórios, as mulheres lidam com a expulsão de famílias, a contaminação das águas, do solo, a perseguição às lideranças e as tentativas de enfraquecer a organização comunitária e os seus modos de vida tradicionais. Trata-se de um caso emblemático de injustiça e racismo ambiental, em que comunidades são expostas a danos permanentes para viabilizar grandes negócios. Resultado de um modelo de empreendimento que opera sem garantir a proteção da vida, da saúde e do território.

Diante disso, o MAB e a MMM exigem:

– Apuração imediata e rigorosa dos fatos pelos órgãos ambientais e de saúde;

– Reconhecimento imediato das famílias da Vila Maranhão como atingidas por empreendimento químico e logístico;

– Apuração rigorosa das responsabilidades da Valen Fertilizantes e Armazéns Ltda. e do Grupo Valen pelos danos causados;

– Atendimento médico urgente e acompanhamento contínuo das famílias atingidas, com registro dos impactos à saúde;

– Monitoramento permanente da qualidade do ar, do solo e da água no bairro;

– Suspensão das atividades da empresa, até que sejam garantidas condições reais de segurança ambiental;

– Medidas efetivas de reparação coletiva dos danos sofridos pelas famílias atingidas;

– Transparência quanto ao licenciamento ambiental e aos protocolos de segurança do empreendimento.

Seguiremos ao lado das famílias da Vila Maranhão na luta por justiça socioambiental, denunciando a naturalização do adoecimento do povo em nome de um modelo de desenvolvimento excludente e predatório.

Que a vida esteja acima do lucro!

Mulheres, água e energia não são mercadorias!

Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB

Marcha Mundial das Mulheres Maranhão – MMM MA

São Luís (MA), 18 de fevereiro de 2026.

Ler mais
| Publicado 14/10/2025 por Marcha Mundial das Mulheres - MA, Movimento dos Atingidos por Barragens - Maranhão

NOTA DE REPÚDIO E DE SOLIDARIEDADE | Em defesa da vida, da luta pela terra, contra a criminalização das lideranças

No último domingo (12), duas lideranças foram gravemente agredidas dentro da comunidade. O caso foi conduzido e denunciamos a impunidade dos agressores e a falta de amparo do estado, por meio da Polícia Militar, da Casa da Mulher Brasileira e Delegacia da Mulher de São Luís

| Publicado 03/02/2026 por Movimento dos Atingidos por Barragens - Minas Gerais

NOTA | Vale e CSN: uma mina de reincidência em destruição ambiental, contaminações e violação dos direitos humanos

MAB celebra pedido do MPF para bloquear R$ 1 bilhão da Vale e alerta para o risco de tragédia anunciada com o agravamento dos extremos climáticos na região

| Publicado 03/02/2026 por Movimento dos Atingidos por Barragens - MAB

NOTA DE PESAR | Frei Sérgio, presente!

MAB se despede de Frei Sérgio Görgem, militante histórico e companheiro de luta e sonhos da classe trabalhadora