Célio Bermann, presente!

Ao longo de toda a história do Movimento Célio contribuiu em inúmeros momentos com a luta das populações atingidas. MAB presta homenagem diante de seu falecimento

Foto: Rodrigo Costa

É com imenso pesar que recebemos a notícia do falecimento do grande companheiro Célio Bermann, professor, doutor, associado no Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo e coordenador do Grupo de Pesquisa em Governança Energética. Durante toda a trajetória de quase 35 anos do Movimento dos Atingidos por Barragens, Célio acompanhou, lutou e colocou suas ideias sobre a energia no Brasil para debate e reflexão. 

Célio contribuiu com o Movimento desde 1992 na Assessoria ao Movimento, passando pela participação no I Encontro Internacional dos Atingidos por Barragens, em Curitiba em 1997, ao escrever sobre  “Energia no Brasil: Para quê? Para quem? – Crise e alternativas para um país sustentável”, de 2002. Trouxe a tona a luta das populações atingidas em vários momentos fundamentais, como na luta dos atingidos pelas barragens de Belo Monte e Tapajós, regiões que esteve por diversas vezes.

Participou em 2008, no II Encontro dos Povos Indígenas e Movimentos Sociais da bacia do rio Xingu, e em 2016, na Audiência pública para discutir os impactos da hidrelétrica de Tapajós, onde foi enfático – “O Brasil não precisa de hidrelétricas no rio Tapajós”

Foi ainda recebido pelo presidente Lula junto a Dom Erwin Krautler, então presidente do Conselho Indigenista Missionário e acompanhado também pelo procurador da República em Belém, Dr. Felício Pontes, em 2016 para alertar sobre os impactos de Belo Monte. 

Por diversas vezes, Celio ajudou a analisar os Planos Decenais de Expansão do setor de energia brasileiros, e contribuiu para construir documentos e cartilhas do Movimento, que de maneira popular auxiliavam na formação dos militantes e dirigentes do MAB. 

Enquanto professor, orientou dezenas de alunos e alunas em inúmeras pesquisas desde os impactos de barragens de várias regiões do Brasil, na vida das pessoas e no meio ambiente, em aspectos específicos, físicos dessas estruturas e da energia, sempre relacionando essas pesquisas à vida, à sociedade e aos seus impactos. 

Célio também contribuiu como assessor especial do Ministério de Minas e Energia, no início do primeiro governo do Presidente Lula, mantendo sempre as portas do Ministério abertas para os atingidos por barragens. 

Nos últimos anos, Célio estava se dedicando a discutir a transição energética, e destacava que “o debate sobre o futuro energético não deve se restringir à redução das emissões de gases de efeito estufa, como hoje governos, empresas, amparadas pela mídia internacional definem. A questão central é de qual escala de consumo queremos para assegurar a qualidade de vida de todos os habitantes do planeta, considerando a escassez dos assim denominados recursos naturais e a vulnerabilidade climática. E a esta questão, o sistema capitalista não está nos oferecendo respostas.” Lembrou em entrevista sobre o tema. 

No seminário que discutiu o tema organizado pela Plataforma Operária e Camponesa de Água e Energia em São Paulo, em outubro de 2025, Célio alertou para o problema de pensar uma transição energética justa, inclusiva e soberana a partir de uma lógica de substituição de fontes primárias, já que é preciso pôr em xeque o produtivismo que leva à exploração irrestrita dos recursos naturais.

“A energia deve ser entendida como um bem público e um direito humano, e não como uma mercadoria. A transição energética deve ampliar o controle social sobre as decisões do setor.” 

Entristecidos por seu falecimento, agradecemos as contribuições do companheiro Célio Bermann ao longo dos anos, essenciais para refletir sobre o Brasil que queremos construir.

Para sua família, amigos e conhecidos, nosso conforto e abraço solidário. 

Célio Bermann, presente!  Em sua memória seguiremos na luta.

Coordenação Nacional do MAB. 

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