Brigadas de Agitação e Propaganda levam força popular ao lançamento da campanha de Lula

Movimentos sociais marcharam em São Bernardo do Campo (SP) durante ato pela reeleição do presidente

Brigadas de Agitação e Propaganda Lula Presidente acompanharam o lançamento da campanha em São Bernardo do Campo (SP). Foto: Tamires Pinheiro / MAB

Com bandeiras e faixas erguidas, cerca de 4 mil militantes das Brigadas de Agitação e Propaganda por Lula Presidente marcharam neste domingo (16) pelas ruas de São Bernardo do Campo (SP) até o Estádio 1º de Maio. A mobilização marcou a participação dos movimentos sociais e populares no lançamento da campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A ação reuniu militantes das organizações que compõem as Brigadas: Central de Movimentos Populares (CMP), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), União dos Movimentos de Moradia (UMM) e Federação Única dos Petroleiros (FUP). Vindos de diferentes regiões do estado de São Paulo e do Brasil, eles se concentraram a partir das 7h, na região da rua Jurubatuba com a Olavo Bilac, e seguiram juntos até o estádio, onde se somaram às 40 mil pessoas presentes no lançamento da campanha.

Durante a caminhada, Raimundo Bonfim, da coordenação de mobilização Lula Presidente, destacou que a participação das Brigadas é o ponto de partida para uma mobilização que vai ganhar as ruas, as redes e os territórios nas próximas semanas.

“A partir de hoje, nos próximos 50 dias, a militância dos movimentos populares, a militância do campo democrático popular, vai ocupar as ruas e as redes, os territórios de todo o país para, no dia 4 de outubro, reelegermos Lula presidente do Brasil mais uma vez. Nossa participação no ato deste domingo mostra a força e a organização popular. Não mediremos esforços para ver Lula subindo a rampa do Palácio do Planalto pela quarta vez”, afirmou.

A participação das Brigadas se somou à simbologia do próprio lançamento da campanha. Lula escolheu a Vila Euclides para iniciar a caminhada pela reeleição 47 anos depois das grandes greves dos metalúrgicos do ABC, que enfrentaram a ditadura militar e projetaram nacionalmente sua liderança.

Em 1979, diante de milhares de trabalhadores em greve e sem um sistema de som capaz de alcançar todo o estádio, Lula subiu em uma mesa de bar emprestada para falar aos metalúrgicos. Suas palavras eram repetidas pelos próprios trabalhadores para que a mensagem chegasse à multidão.

Ao retornar ao local para iniciar a campanha em busca do quarto mandato, Lula relembrou aquele período e a relação construída com a classe trabalhadora. “A emoção de hoje é uma emoção ímpar. É uma emoção que estou sentindo muito mais forte do que a que senti em 1979, aqui mesmo neste estádio”, afirmou o presidente.

Das arquibancadas do estádio 1º de Maio, Miriam Hermogenes, coordenadora nacional da CMP, expressou a continuidade da participação popular na defesa da democracia e na disputa pelos rumos do país. “Assim como em 1979, o povo veio para esse chão e hoje estamos aqui novamente, com o povo e as Brigadas de Agitação e Propaganda, juntos para romper com o fascismo no nosso país. É Lula de novo em 2026!”, afirmou.

O mesmo desejo foi seguido por Tamires Cruz, da coordenação do MAB no estado de São Paulo. Ela também destacou a importância da participação popular na construção desse processo. “Ter os movimentos sociais aqui, onde tudo começou, é garantir a participação popular numa sociedade que a gente luta e constrói coletivamente”, destacou.

Representando os trabalhadores do setor petroleiro, Steve Austin, dirigente da (FUP), ressaltou a presença da categoria ao lado dos demais movimentos sociais. “Estamos representando aqui os petroleiros neste ato importante, junto com os movimentos sociais e com as Brigadas de Agitação e Propaganda, que vão levar Lula presidente”, afirmou.

Já Sidnei Pita, da coordenação da União dos Movimentos de Moradia, ressaltou que os militantes pelo direito à cidade reconhecem no presidente Lula a garantia da continuidade do programa Minha Casa, Minha Vida – Entidades (MCMV). “Toda vez que a democracia está ameaçada, é o povo pobre que sofre as maiores consequências. Foi assim quando Bolsonaro cortou o programa MCMV, foi assim quando acabaram com o Ministério das Cidades. O povo que luta por moradia digna não aceita voltar ao passado, queremos ampliar as conquistas e seguir em frente construindo moradias maiores e melhores para quem constrói o país de verdade”, declarou.  

Lula dá largada à campanha pelo quarto mandato

Diante das 40 mil pessoas que ocuparam o Estádio 1º de Maio, Lula fez um discurso marcado pela memória das lutas dos trabalhadores e pelos desafios para um quarto mandato. O presidente defendeu a democracia, criticou a extrema direita e apontou como prioridades educação, geração de empregos, moradia, segurança pública e soberania nacional. Também defendeu investimentos em ciência, tecnologia e industrialização como parte de um projeto de desenvolvimento para o país.

Ao falar diretamente à militância, Lula defendeu que a campanha ganhe as ruas e que o diálogo com a população mostre as diferenças entre os projetos políticos em disputa e os resultados dos governos em áreas como emprego, educação, renda e políticas públicas.

O lançamento contou ainda com a participação do vice-presidente Geraldo Alckmin, que destacou a defesa da democracia; de Fernando Haddad, candidato ao governo de São Paulo, que falou sobre os avanços do governo Lula; e de Janja Lula da Silva, que ressaltou o papel das mulheres nas lutas populares e homenageou Marisa Letícia e as mulheres que sustentaram suas famílias durante as históricas greves do ABC.