Novas arpilleras retratam impactos da crise climática e violações de direitos
Acervo virtual reúne 60 novas peças produzidas por mulheres atingidas e já soma mais de 400 arpilleras
Published 17/08/2026

Na última sexta-feira (14), o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) publicou 60 novas Arpilleras em seu acervo virtual, que reúne, desde 2021, obras produzidas por mulheres atingidas de diferentes regiões do Brasil. Entre as novas peças, a maior parte aborda os impactos da crise climática nos territórios, revelando as transformações, os desafios e as violações de direitos vivenciados pelas comunidades atingidas.
Inspiradas na tradição de resistência construída pelas mulheres chilenas durante a ditadura militar no país, as mulheres do MAB incorporaram a técnica das Arpilleras como uma forma de denunciar as violações socioambientais provocadas pelo modelo energético brasileiro.
Desde 2013, o coletivo de mulheres do Movimento realiza oficinas de Arpilleras em diversas regiões do país. Por meio de um processo formativo que articula história, luta, debate, troca de experiências e arte, as participantes produzem peças bordadas em tecido, utilizando a técnica como instrumento de expressão e denúncia.






As Arpilleras retratam memórias, denúncias e resistências vivenciadas pelas mulheres e suas comunidades. Ao longo dos anos, a produção se consolidou como uma importante ferramenta de comunicação e registro das experiências dos territórios atingidos. Atualmente, já são mais de 400 peças produzidas.
As novas obras ampliam esse acervo ao trazer para o centro da narrativa os efeitos da crise climática sobre as comunidades. Secas, enchentes, mudanças nos modos de vida e outras violações aparecem representadas nas peças, construídas coletivamente a partir das experiências das mulheres.
“Produzir essas novas arpilleras é também produzir memória, denúncia e resistência. Elas foram construídas pelas mãos e pelas vozes das mulheres atingidas de todas as regiões do Brasil, retratando os impactos da crise climática, denunciando a conjuntura e as violações de direitos que atingem os territórios e suas comunidades, mas, sobretudo, afirmam o protagonismo das mulheres na construção coletiva da luta por direitos, soberania e paz”, afirma Clara Oblack, do Coletivo de Mulheres do MAB.
Arte, memória e resistência

Ao transformar experiências vividas nos territórios em imagens, tecidos e bordados, as Arpilleras cumprem também a função de preservar memórias e fortalecer a organização das mulheres atingidas. A técnica permite que diferentes histórias sejam compartilhadas e que as denúncias construídas coletivamente ganhem visibilidade.
O acervo virtual reúne parte dessa trajetória e permite conhecer as peças produzidas ao longo dos anos, suas histórias e os temas que atravessam a vida das mulheres atingidas por barragens e pelas transformações ambientais e sociais nos territórios.
Confira abaixo a exposição virtual e conheça as 60 novas peças no acervo do MAB.