Gleisi Hoffmann: “A saída política é o Fora Bolsonaro e novas eleições”

Em entrevista exclusiva ao Coletivo de Comunicação do MAB, a presidenta do Partido dos Trabalhadores comenta ação popular ajuizada que busca controlar o preço do botijão de gás durante o período da pandemia

Na quarta-feira, 6 de maio, a deputada federal e presidenta do Partido dos Trabalhadores Gleisi Hoffmann protocolou um ação popular na Justiça Federal de Curitiba pedindo que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) fixe o valor do botijão de 13 quilos em R$ 49 para o consumidor final e fiscalize o cumprimento da medida junto aos distribuidores em todo o país.

“No processo, a deputada aponta que em meio à crise sanitária e econômica que o país enfrenta, consumidores de diversos estados brasileiros denunciam a conduta abusiva de distribuidoras e revendedoras de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), que se aproveitam do momento para aumentar injustificada e abusivamente os preços do botijão”, informou o site do PT.

Como a medida proposta pela deputada dialoga com aquelas propostas lançadas pelo Movimento dos Atingidos por Barragens no começo da crise, o MAB foi ouvi-la para entender melhor a proposta e dialogar sobre os rumos da política no Brasil em meio à pandemia da Covid-19. 

Confira:

MAB: Deputada, o quê explica o preço do botijão de gás chegar a custar 80, 90, às vezes 100 reais nesse momento no Brasil?

Gleisi Hoffmann: Sobretudo a determinação e a vontade política do governo de ter um teto para o peço do botijão de gás, afinal, o gás é produzido pela Petrobras, que é uma empresa de economia mista, mas que o governo tem preponderância nas ações. Então o governo tem que intervir a favor do povo. Quando o Lula foi presidente, o botijão de gás tinha um limite de preço. As pessoas não pagavam mais do que R$ 40. Agora nós precisamos de novo de um limite de preço. Até porque o custo do botijão na refinaria da Petrobras não chega a R$ 22. É um absurdo, a distribuição cobrar até R$ 100. Portanto, o governo tinha que entrar tabelando sim o botijão. É uma forma de a Petrobras devolver a povo o investimento que o povo fez na empresa. 

Qual o conteúdo da ação popular ajuizada na Justiça Federal de Curitiba? O que ela busca?

Nós pedimos na Justiça que o botijão de gás seja tabelado na ponta a R$ 49. Ou seja, ele não pode custar para o consumidor mais de R$ 40. Tendo por base que hoje na refinaria o botijão está abaixo de R$ 22. E também pedimos para que a Justiça Federal faça com que a ANP fiscalize o custo do botijão de gás e também responda porque tiveram tantos aumentos que fizeram com que o botijão custasse em muitas regiões cerca de R$ 100. Então a Justiça Federal já determinou que a ANP preste os esclarecimentos sobre o que está acontecendo com o preço do botijão de gás de cozinha. 

Qual deveria ser o papel de um governo comprometido com o povo em um momento de pandemia como o que vivemos hoje? 

O papel seria principalmente o de proteger o povo, proteger a vida contra o vírus, portanto, equipar a saúde pública, ter leitos hospitalares de UTI à disposição da população, ter equipamentos de proteção individual para os trabalhadores na saúde, ter respiradores, ter vacinas, ter remédios, ter tudo o que o povo precisa para se proteger do vírus. Depois proteger a economia popular, proteger a renda, fazer com que a renda emergencial que foi aprovada pelo Congresso Nacional, que nós propusemos, a oposição, o PT, chegue às pessoas, que seja pago, que as pessoas tenham facilidade de acesso, não fique apenas um banco pagando, e não tenha exigências como ter o CPF regularizado, ou o CPF dos dependentes. Nesse momento de pandemia, o papel do governo é proteger: proteger a vida do povo brasileiro, proteger a sua renda, fazer com que as pessoas consigam enfrentar as dificuldades, o que estamos passando, e sair lá na frente com capacidade de reestruturar suas vidas. 

Qual a sua avaliação do governo de Jair Bolsonaro na condução do país, principalmente nesse momento de pandemia? 

Jair Bolsonaro é uma catástrofe para o Brasil. É um presidente que não tem capacidade administrativa nem política, briga com todo mundo, não consegue proteger o povo. Agora, na condução da pandemia, ele está mostrando o seu pior lado, que é de desalmado, uma pessoa sem empatia, que não consegue se colocar no lugar das pessoas e ter solidariedade. Não demonstra nenhum sentimento em relação à dor do outro, à morte das pessoas, e achar que as coisas não são com ele. Quer que a economia funcione, mas sem o governo proteger empregos e sem o governo facilitar a vida das empresas com crédito. Só pra ter uma ideia, as micro e pequenas empresas não conseguiram até agora ter acesso ao crédito do governo. Porque uma das exigências do governo para dar crédito para que as micro e pequenas empresas passem por esse momento de dificuldades, é que a folha de pagamento delas seja processada através do banco. Então um restaurante, uma lanchonete, uma empresa menor que paga seus funcionários em dinheiro, por semana ou no final do mês, não pode ter crédito. Isso é uma indecência. Até para dar crédito às empresas tem que privilegiar banco. Essa é a cabeça do Bolsonaro: uma cabeça que governa para a elite. Não está nem aí com o povo pobre e nem com a dor das pessoas. 

Qual a saída que o PT aponta para o país nesse momento? 

Tweet de Gleisi Hoffmann sobre a reunião ministerial

A saída política é o Fora Bolsonaro. É se livrar desse vírus, desse verme, desse traste, que não tem solidariedade com o povo. Bolsonaro desestabiliza o Brasil. Ele não é capaz de coordenar as ações de estados e municípios, de tranquilizar o país, de ajudar as pessoas, de fazer com que tenha proteção. Nós tentamos desde o início da crise, mesmo como oposição, a fazer propostas para ajudar o governo, inclusive, a ter respostas para a crise que estava se instalando. A renda emergencial foi uma proposta da oposição, articulada pelo PT, temos propostas para defender o salário, para defender o emprego, propostas para ajudar as empresas, mas nada disso é executado pelo governo. O governo faz-se de morto, não toma iniciativa, dificulta a vida das pessoas, só faz falatório, e o Bolsonaro o tempo inteiro só traz desestabilização. Ele não tem condições humanas de ser presidente da República nem em uma situação de normalidade, que dirá numa crise dessas. Bolsonaro não tem capacidade de conduzir o país para sair dessa crise. Por isso, é Fora Bolsonaro. 

“Temos que utilizar todos os instrumentos que nós temos na Constituição Federal para que a gente possa afastá-lo. Mas é essencial que, ao utilizar esses instrumentos, essa saída se dê pela participação e vontade popular. Não pode ter uma saída por cima, simplesmente trocá-lo pelo vice.”

Porque a linha do vice dele é a mesma: é o neoliberalismo, é a economia da exclusão e isso nós não podemos aceitar. Por isso, junto com a campanha pelo Fora Bolsonaro, estamos fazendo de tudo para aprovar a emenda constitucional que prevê eleição direta em 90 dias depois do afastamento do presidente da República. Nós queremos que o povo participe desse processo. É isso que vai garantir a democracia e os direitos da população. 

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